Pedrinho! Suba já para seu quarto. Já disse a você milhões de vezes que isso não é coisa para crianças da sua idade, além disso, você deve respeitar os mais velhos. Isso é maneira de se referir a alguém?
Tectectectec! Não obstante a bronca que levei, fico feliz de estar aqui em meu quarto, onde me sinto tranquilo, observando o que se passa lá fora.
Uma das coisas mais interessantes que gosto de ver daqui são os esquilos – uma vez, um amigo me disse que não passam de ratos evoluídos contra predadores felinos. Não creio nisso, pois são muito bonitinhos, tanto é que gostaria de produzir uma pintura deles; ah, que pena que não tenho coordenação para isso!
Outra visão, não menos importante, corresponde aos jardins e as flores, as quais inexistem durante meses por aqui; lembro-me de que outrora nem folhas havia nas árvores, quem dirá flores no jardim. Ao fundo, entre duas casas e sob o fundo de uma grande pedra, vejo chegar um ônibus – interessante como sempre posso prever sua chegada! Ele tem me levado para diversos lugares por aqui, momentos que jamais esquecerei.
Agora, um momento interessante, parei na estação ferroviária, rumo à cidade dos grandes prédios. Já em meu destino é interessante como passo calor no caminho até aos pássaros que levam gente. Daí vem um fato marcante: até alguns anos atrás, eu abria a janela para sentir um ventinho gostoso, não sei por que mudaram isso. Sobre isso, revelou-me, meu pai, que há muitos interesses envolvidos nisso, que deveria dizer amém aos avanços tecnológicos; bom, não contrariarei as vontades de quem possui uma mão mais pesada que a minha!
O pássaro chegou em um lugar onde há um jardim branco – seria esse o jardim dos pássaros? Ah, prefiro o meu mesmo. É mais quentinho!
Ótimo, nesta cidade, há muitas flores. Minha irmã gasta duas horas por dia adimirando-as. E eu, argh, fico esperando feito bobo. Gostaria de ser o irmão mais velho.
Nesta altura, um homem calvo – que é como minha mãe quer que o chame - me levou para um lugar cheio de uvas, dizendo que se ficasse quieto, ele me levaria para ver as foquinhas e os pinguins. Dito e feito! O único problema foi aguentar aquela conversa fiada de que há corpos, que de tão pequenos, eu não poderia vê-los. Fingi concordar.
Ah, como é lindo o nado das foquinhas. Se tivesse oportunidade, levaria uma comigo para brincar em minha piscina. Minha irmã disse que comprou uma pequenina. Não acredito nisso!
Noutro dia, vi os leões marinhos; passei um frio de matar. Minha irmã gostou muito mais daquilo tudo. Não pela natureza, mas pelo que poderia comprar!
Então, resolvemos ir ao deserto. Como faz calor lá. Sofri bastante. Aliás, aqui parece ter um brisa fria quando lembro de lá. O que me marcou mais de lá foi que uma mulher segurava outra pelo pé, isso sobre um lago colorido. Pensei: - se ela cair, vai sobreviver? Logo, eu me imaginei no lugar dela, afinal, poderia me refrescar um pouco.
Enfim, tudo se acabou, e o pássaro me trouxe de volta, deixando-me sozinho novamente.
Já por aqui, que porcaria!, minha mãe mandou minha irmã de volta e não me permitiu beber da água vermelha, mesmo dizendo que o homem careca experimentava aquilo na terra do vento frio.